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17 de Janeiro de 2021

5 Principais golpes bancários aplicados atualmente: se proteja!

Golpes tem se tornado cada dia mais comum, especialmente os que roubam dinheiro da população. Confira dicas para não cair nesses golpes!

Bárbara Lopes, Advogado
Publicado por Bárbara Lopes
há 2 meses

Golpes, infelizmente, tem se tornado cada dia mais comum na vida das pessoas. Especialmente esse ano de 2020 em que a maioria das pessoas foi obrigada a passar mais tempo em casa e buscar produtos e serviços pela internet.

A internet que é uma grande aliada nas quarentenas está gerando medo em algumas pessoas, devido aos golpes!

Segundo uma pesquisa do dfndr lab, comentada pelo Tec Mundo da Globo.com golpes bancários já atingiram 10 milhões de pessoas no Brasil.

Mas, há formas de buscar se proteger desses golpes bancários e é sobre isso o nosso artigo de hoje. Separei algumas dicas para você se proteger dos 5 principais golpes bancários.

1 - Confirmação de dados bancários

A vítima recebe um SMS, e-mail ou ligação dos criminosos se passando pelo banco e, com alguma desculpa, eles buscam confirmar os dados bancários. Essas desculpas podem ser uma atividade suspeita na sua conta, uma compra não autorizada, apenas um procedimento de rotina de confirmação de dados ou até mesmo uma oferta de empréstimo muito boa.

Com isso, os fraudadores buscam especialmente os dados bancários das vítimas como nome completo, CPF, número do cartão de crédito, código de segurança e até mesmo a senha. Com esses dados os criminosos fazem compras no cartão de crédito ou saques nas contas com documentos falsos.

Como se proteger desse golpe:

  • Sempre desconfie de pessoas que te pedem os seus dados;
  • Tenha sempre em mente que o banco já possui todos os dados, no máximo eles pedem uma confirmação de alguns números do seu CPF, data de nascimento e etc. Nunca muitos dados;
  • Quando o banco precisa de mais informações ele geralmente pede para que você compareça a agência;
  • Nunca acredite em promoções ou condições especiais que você receba por e-mail, SMS ou via ligação. Sempre cheque a procedência no site oficial do banco ou com o seu gerente.

2 - Compra em sites ou rede sociais falsas

A vítima recebe uma promoção de uma loja por e-mail, SMS, WhatsApp ou mesmo via redes sociais. Às vezes a vítima até busca o perfil na rede social da referida loja (que pode ser famosa ou não), vê quem tem vários seguidores e algumas postagens.

Com essa pesquisa básica o consumidor conclui que está tudo certo e faz a compra do produto ou pelo site ou mesmo via rede social. Via site ele realiza a compra com o cartão de crédito, incluindo todos os seus dados ou ainda via boleto bancário. Na rede social a compra pode ser realizada via depósito bancário na conta dos fraudadores.

Contudo, o cliente nunca recebe o produto adquirido, faz reclamações e nunca é atendido ou respondido. Enquanto os fraudadores ficam com o seu dinheiro e somem!

Como se proteger desse golpe:

  • Se for via site, verifique a URL (o endereço do site no navegador) e desconfie de nomes estranhos. Um loja confiável geralmente tem uma URL “nomedaempresa.com.br” ou “nomedaempresa.com”;
  • Observe sempre nos sites se há uma empresa que garante a segurança da compra. Sites seguros, sempre informam seus consumidores sobre a segurança de inserir seus dados bancários (cartão de crédito) em suas plataformas;
  • Se a compra for via rede social, não ligue para o número de seguidores. Verifique sempre a quantidade de curtidas, comentários e stories. Confira se há reclamações de falta de entrega;
  • Se receber uma promoção super maravilhosa via rede social, busque o site oficial da empresa e confira se a informação procede, antes de fechar a compra.

3 - Golpe do boleto alterado

Normalmente nesse golpe a vítima tem uma dívida com o banco e busca negociar ou atrasou algum boleto e precisa pegar uma segunda via deste boleto.

Os fraudadores criam um site idêntico ao do banco, oferecendo segunda via de boleto ou uma negociação de uma dívida bancária. A própria vítima insere os seus dados: nome completo, CPF e demais dados do contrato que incluem o valor do boleto.

Outra forma desse golpe é para aqueles que tem um processo de cobrança pelo banco, em que constem lá os seus dados (nome, CPF e dados da dívida). Nesse casos os fraudadores farão ligação se passando pelo banco e oferecendo uma acordo para pagamento via boleto.

Dessa forma, é emitido um boleto bem parecido com o boleto que o banco enviaria ao seu cliente. Entretanto, o boleto foi alterado na parte do beneficiário, constando nesse espaço o nome e o CNPJ do banco e não o beneficiário da conta.

O consumidor, acreditando estar pagando uma dívida, está na verdade fazendo um depósito na conta dos fraudadores.

Como se proteger desse golpe:

  • Quando buscar o pagamento de uma dívida, confira sempre a URL do site do banco, que será sempre: “nomedobanco.com.br” ou “nomedobanco.com”;
  • Não acredite nos sites em que exista o escrito “Anúncio” em negrito na pesquisa do Google. Os fraudadores sempre fazem anúncios no Google para o site apareça como uma dos primeiros na pesquisa por segunda via;
  • Desconfie se o site te pede mais informações do que deveria. Por exemplo, o banco não precisa do seu telefone, ele já tem esse dado;
  • Confira os cinco primeiros números do boleto, eles correspondem ao número do banco emissor do boleto. Se a dívida é do banco X não tem porque ele tem enviar um boleto do banco Y;
  • Antes de concluir o pagamento de qualquer boleto, confira o beneficiário do boleto. Mesmo que o boleto teve esse dado alterado, no momento do pagamento é possível verificar.

4 - Clonagem do WhatsApp

Os criminosos enviam via SMS, WhatsApp, rede social ou ligação uma super promoção de um restaurante famoso, um desconto em um curso de alguém que você segue ou admira, uma oportunidade maravilhosa de emprego, resumindo algo muito sensacional para ser verdade.

Mas, para acessar esse desconto super mega blaster você precisa apenas confirmar para o fraudador alguns números que chegaram no seu celular. O que ele não te fala é que esses números são um código para acessar o seu WhatsApp.

Com esse acesso, os criminosos começam a se passar pela vítima e a pedir dinheiro “emprestado” para todos os seus contatos, descrevendo situações de necessidade. Assim, os seus contatos são enganados a fazer depósitos de valores nas contas deles.

Como se proteger desse golpe:

  • Não confie em promoções, descontos ou oportunidades sensacionalistas e que parecem boas demais para ser verdade. Confira sempre no site oficial e redes sociais da empresa antes de clicar em links na mensagem;
  • Se for por ligação repare em como a pessoa fala, empresas sérias tem uma forma de falar, fraudadores e criminosos tem outra e costumam errar algumas coisas no português;
  • De forma alguma passe o código do seu WhatsApp para qualquer pessoa. É possível saber se o código solicitado é o do WhatsApp porque ao mesmo tempo que chega o código o aplicativo te envia uma mensagem informando que trata-se do código do WhatsApp;
  • Ative a confirmação em dois fatores na configuração dos seu WhatsApp. Assim, mesmo que você passe o código de acesso ao aplicativo, os criminosos só conseguiram acessar com essa segunda senha;
  • Se você receber qualquer mensagem via WhatsApp de qualquer pessoa pedindo dinheiro, busque confirmar se a história é verdade via ligação antes de fazer qualquer depósito.

5 - Troca de cartão

A vítima para em algum ambulante na rua e vai comprar alguma coisa: água, sorvete, picolé, salgadinho e etc. No momento do pagamento, o ambulante não tem troco ou mesmo a vítima escolhe pagar a compra no cartão de crédito ou débito.

O criminoso pede o cartão para passar a compra na maquininha, a vítima o entrega. Com o cartão em mãos o criminoso passa o cartão na maquininha mas ela dá algum problema e a vítima precisa digitar a senha duas ou três vezes. No final ela passa a compra e o ambulante devolve o cartão ao cliente.

O que a vítima não percebe é que o cartão devolvido é do mesmo banco mas de titularidade de outra pessoa, que normalmente também caiu no golpe.

Os criminosos então ficam com o cartão da vítima e a senha que foi gravada por ele. Assim, eles aproveitam para fazer diversas compras com o cartão e, quando o consumidor percebe a troca já é tarde demais.

Como se proteger desse golpe:

  • Nunca entregue o seu cartão para que o comerciante passe na maquininha, prefira você mesmo inserir e tirar o seu cartão;
  • Ao concluir uma compra, sempre confira se o cartão entregue é o seu.

Bônus: empréstimo rápido e fácil pedindo dinheiro para liberação de crédito

Nesse golpe a vítima geralmente está desesperada para pegar um empréstimo e, normalmente, está buscando bancos não tradicionais por estar com o nome negativado.

Pesquisa na internet alguns sites de financeiras e acessa uma que lhe promete uma taxa de juros muito boa, com condições que cabem no bolso do consumidor.

Acontece que o site pesquisado é falso e, após enviar todos os seus dados, a vítima é surpreendida com uma negativa de crédito ou uma informação de que para acessar aquele empréstimo seria necessário pagar algum valor adiantado.

Desesperada pelo valor, a vítima paga o valor e nunca recebe o empréstimo prometido.

Como se proteger desse golpe:

  • Verifique a URL (o endereço do site no navegador) e desconfie de nomes estranhos. Um loja confiável geralmente tem uma URL “nomedaempresa.com.br” ou “nomedaempresa.com”;
  • Tenha em mente que nenhuma instituição financeira pede valores adiantados ou cobram para liberação de crédito.

Conclusão: o que fazer se você caiu em algum golpe bancário?

Se você caiu em algum desses golpes bancários é importante sempre buscar auxílio jurídico o mais rápido possível para que você tenha mais chances de conseguir o valor de volta. Além disso, não deixe também de fazer um Boletim de Ocorrência para registrar formalmente o golpe.

O meu posicionamento é de que banco é sempre responsável pelos golpes bancários, já que é de sua responsabilidade criar um ambiente seguro para que seus consumidores possam realizar suas transações. Isso é o diz o artigo , VI e o artigo 20 do Código de Defesa do Consumidor que garante ao consumidor proteção e a reparação de danos vinculados a má prestação de serviços.

Além disso, o fornecedor é responsável pelo risco do negócio, ou o também chamado fortuito interno, já que a atividade bancária é a atividade fim a que se prestam as instituições financeiras.

No entanto, tem crescido algumas correntes no judiciário de que o consumidor é responsável pelos golpes em que existe a possibilidade de se evitar, como o boleto alterado.

Contudo, não compactuo com essa corrente por dois motivos, para além dos acima indicados:

  • O primeiro é que a população em geral não possui o conhecimento técnico e a educação digital para identificar alguns dos pontos como saber identificar uma URL falsa feita em alguma empresa de sites como a WIX, Go Daddy e etc.
  • O segundo ponto é que, por outro lado, as instituições financeiras têm condições financeiras de blindar o seus consumidores desses golpes e de tantos outros que vemos por aí. Um exemplo seria criar um espaço único para negociação de dívidas, ou mesmo uma forma de que os boletos não possam nunca ser alterados.

Se esses golpes fossem perpetrados contra os bancos eles certamente já teriam criado estas formas de bloqueio. Contudo, como poucos clientes buscam os seus direitos e, ainda, há o entendimento equivocado de alguns juízes do judiciário de que o consumidor tem conhecimentos que não possui, eles ainda não tomaram nenhuma providência!

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